Para calcular o frete na loja virtual, entram quatro coisas: o peso do pacote (o real e, em caixa grande, o cúbico), as medidas da caixa em que o produto vai, o CEP de origem e de destino e a modalidade (PAC, SEDEX ou transportadora). Você não faz essa conta na mão. Cadastra peso e caixa certos em cada produto, e a plataforma da loja cota na hora, no carrinho, pela tabela das transportadoras que você ligou.
O que encarece o frete é cotar no lugar errado. No vídeo abaixo, a mesma caixa de 3 kg saiu por R$ 61 no balcão dos Correios e por R$ 30 numa transportadora contratada por uma plataforma de etiquetas (setembro de 2024, de Santa Catarina para Minas Gerais). E calcular certo é só metade do trabalho. A outra metade é decidir quanto o cliente paga, porque ele compara a sua oferta com o frete grátis do marketplace. Frete é ferramenta de venda, não só custo.
Atualizado em setembro de 2026.
Como calcular o frete de um produto: o que entra na conta
Peso real e caixa de envio no cadastro
O cálculo automático só acerta se o cadastro estiver certo. Quando montou a loja dele do zero, o Vitor seguiu uma regra que vale até hoje: o peso real do produto e as dimensões da caixa em que ele vai ser enviado, não as medidas do produto. Ele pegou uma régua, mediu a caixa e cadastrou altura, largura e profundidade dela.
Na prática: pese o produto já embalado, do jeito que ele sai para o correio, e cadastre a caixa que você usa de verdade. Peso chutado para baixo vira frete cobrado a menos do cliente, e a diferença sai do seu bolso. Quem tem contrato com os Correios ainda passa por conferência: pelas condições comerciais em vigor, os Correios podem medir e pesar o pacote depois da postagem e lançar a diferença na fatura, com tolerância de 2 cm por dimensão e 50 g no peso.
Peso cúbico: por que caixa grande e leve pode custar caro
Transportadora cobra espaço, não só quilo. Por isso existe o peso cúbico (ou cubado), um peso calculado a partir do volume da caixa: comprimento × largura × altura, dividido por um divisor que cada transportadora define, e aplicado a partir de um tamanho de caixa que cada uma também define. Não decore número: informe as medidas certas e deixe a calculadora comparar.
E não tire regra do balcão. No vídeo, duas caixas de tamanhos diferentes, as duas abaixo de 1 kg, deram o mesmo preço nos Correios (R$ 37,10), e o próprio Vitor ressalva que o valor ficou igual até 1 kg “se não for uma dimensão tão grande”. Valeu para aquele caso, não é tabela. Com peso e caixa certos, o resto é destino e serviço: quanto mais longe e mais rápido, mais caro.
Os dois jeitos errados de cotar frete
O Vitor começa o vídeo pelo que não fazer:
- Cotar no site dos Correios. Na época do vídeo, o simulador não deixava informar o peso exato de um pacote de 500 g. Cotação errada na negociação vira prejuízo seu ou frete mais caro para o cliente.
- Cotar no balcão. Fila, tempo perdido e o preço mais alto, porque é a tabela de balcão.
O jeito que ele usa é uma plataforma de etiquetas (no vídeo, o Melhor Envio), com as embalagens padrão P, M e G salvas na calculadora. Enquanto conversa com o cliente, escolhe a caixa, digita o peso e vê as transportadoras da região, com preço e prazo.
A cotação lado a lado: balcão, PAC e transportadora
O Vitor pesou as caixas no balcão, anotou o preço e cotou as mesmas caixas, com o mesmo peso e o mesmo destino, na plataforma de etiquetas. Santa Catarina para Minas Gerais, setembro de 2024:
| Caixa | Balcão dos Correios | PAC pela plataforma | Transportadora pela plataforma |
|---|---|---|---|
| Pequena, 770 g | R$ 37,10 | R$ 32 | R$ 22 (Jadlog Package) |
| Grande, 3,26 kg | R$ 61 | R$ 53 | R$ 30 (Jadlog Package) ou R$ 27 (Buslog) |
São preços de dois anos atrás, de um CEP e de um peso. Não use como tabela: recote o seu. O que não muda é a diferença. Na caixa grande, a transportadora cobrou metade do balcão, e o Vitor resume o efeito: com metade do custo de frete, você tem mais chance de vender. Oferecer R$ 60 ou R$ 30 de frete para um cliente que está decidindo no WhatsApp são duas vendas diferentes.
Um detalhe do fluxo: na plataforma de etiquetas, a etiqueta é paga antes, pelo lojista, e o código de rastreio sai como link para mandar ao cliente.
Transportadoras perto do seu CEP
Não adianta a transportadora ser barata se não há ponto dela na sua cidade. Para descobrir, o Vitor usa a própria calculadora: o que aparece nela é o que atende o seu CEP. A outra forma é o mapa da plataforma, buscando pelo CEP, que mostra as agências das transportadoras e os pontos de postagem que recebem pacote de várias delas. Aí é ver a distância e decidir se vale pegar o carro para pagar menos.
No vídeo sobre os erros de quem abre loja, ele insiste: não dependa só dos Correios. Em cidade pequena, com poucas opções, frete barato é mais difícil, e a estratégia (lá embaixo) pesa mais.
Na loja virtual, a cotação é automática
Tudo isso vira checkout. As plataformas de loja virtual têm Correios e integração com plataformas de etiquetas e de frete, que mostram no carrinho as transportadoras que você ativou. Assim o cliente escolhe entre PAC, SEDEX e transportadora o que cabe no bolso dele. Algumas plataformas aceitam importar a tabela de uma transportadora negociada direto (confira na sua). Esse é um dos critérios para escolher a plataforma com transportadoras integradas.
Contrato com os Correios: quando compensa
Montando a loja do zero, em 2021, o Vitor fez o teste: ativou o contrato de entrada dos Correios e refez as mesmas cotações. O frete ficou cerca de 17% mais barato, desconto que vai para o cliente e ajuda a converter. Mesmo assim, a conclusão dele foi: “ninguém vai escolher pagar 50 pila de frete para pegar três pimentas”. Contrato baixa o preço dos Correios, mas nem sempre abaixo de uma transportadora.
Na época, o contrato de entrada dos Correios não tinha mensalidade, e o Vitor ativou antes da primeira venda. O que ele deixou para depois foi negociar direto com transportadora. As regras de contrato mudaram desde então (hoje os Correios classificam o cliente pela expectativa de faturamento anual), então confira as condições atuais antes de assinar. Para a transportadora, o marco que ele dá é outro: passando de uns 100 pedidos por mês, já dá para negociar direto. Atalho: veja quais transportadoras pelo menos três concorrentes oferecem no checkout e vá atrás delas.
Frete é ferramenta de venda: sua oferta contra a do marketplace
O cliente da sua loja também compra no Mercado Livre e na Shopee, está acostumado a frete grátis e vai pesquisar o seu produto lá. Por isso o Vitor fala em oferta: preço mais frete. É esse conjunto que tem de ser mais tentador na sua loja do que no marketplace.
Dá para competir, porque o vendedor do marketplace já carrega custo no preço. Em setembro de 2026, o Mercado Livre cobra de 10% a 14% de comissão no anúncio Clássico e de 15% a 19% no Premium, conforme a categoria. O comprador tem frete grátis a partir de R$ 19, e acima de R$ 79 o vendedor paga parte desse frete (veja como funciona o frete grátis no Mercado Livre). Na sua loja não tem comissão de marketplace. Essa diferença é a verba que você pode usar no frete.
Não é à toa que preço e frete são, para o Vitor, os dois maiores desafios de quem vende online hoje: quem começa concorre com a logística e os cupons dos marketplaces. A saída não é dar frete grátis para todo mundo. É decidir onde ele cabe, com a conta feita. Antes, vale saber como pôr o frete dentro do preço de cada canal.
Régua de frete grátis: como achar o valor mínimo
A régua é o “frete grátis acima de R$ X”. Ela faz duas coisas: tira o frete do caminho da venda e leva o cliente a pôr mais um item no carrinho para alcançar o valor, o que sobe o ticket médio. Para oferecer frete grátis sem prejuízo, não chute o X. A conta é esta:
O frete grátis tem de caber na margem do pedido.
- Pegue o frete médio que você paga por envio, das suas cotações dos últimos pedidos.
- Pegue a sua margem de contribuição em %: o que sobra da venda depois de produto, taxas, imposto e embalagem.
- Decida quanto de margem quer manter depois de pagar o frete.
- Valor mínimo = frete médio ÷ (margem − margem que quer manter).
Exemplo com números redondos: frete médio de R$ 30, margem de 30% e você quer manter 15%. R$ 30 ÷ 0,15 = R$ 200. Abaixo disso, o frete grátis come mais do que você aceita perder.
Depois, compare o valor com o seu ticket médio. Se ele está perto de R$ 200, a régua funciona como empurrão. Se está em R$ 80, quase ninguém alcança; aí o caminho é kit, compre junto ou rever o frete por região. Montando a loja em 2021, o Vitor deu como exemplo R$ 250 ou R$ 300. Não copie o número: faça a sua conta.
Frete fixo por região
Outra configuração do mesmo vídeo: frete fixo de R$ 15 para o Sul e o Sudeste, enquanto as outras regiões pagam o PAC ou o SEDEX calculado. Faz sentido quando a maior parte dos clientes está perto e o custo real para essas regiões fica próximo do valor fixo. De tempos em tempos, compare o que você pagou nessas regiões com o que cobrou.
Frete grátis regional na primeira compra, para lucrar na recompra
A ideia mais estratégica vem do vídeo sobre divulgar a loja: aquisição é cara, recompra é barata. Então dá para trazer o cliente novo com menos margem e ganhar na segunda compra. O Vitor sugere um cupom de frete grátis na primeira compra, talvez só para a sua região ou o seu estado, porque para o Brasil inteiro fica caro. Só funciona se o produto tem recompra ou se o cliente compra outras coisas na loja.
Venda pelo WhatsApp: link de checkout com o frete calculado
Muita loja ainda fecha venda no Instagram e no WhatsApp e cota o frete na conversa. O Vitor mostra a saída no fim do vídeo principal: numa loja virtual, você monta o pedido negociado e manda o link. O cliente escolhe o frete já calculado para o CEP dele e paga por Pix, cartão ou boleto. O pedido entra no sistema com status, e o cadastro fica salvo para a próxima compra.
No mesmo vídeo, ele entrevista a dona de uma loja física que fatura de 20% a 30% no balcão e o resto pelo Instagram e pelo WhatsApp, calculando frete na conversa. Já tem produto e cliente; falta o canal. Se é o seu caso, veja os passos para criar a loja.
Perguntas frequentes
Como calcular o frete dos Correios?
O preço depende do peso e das medidas do pacote, dos CEPs e do serviço (PAC ou SEDEX). O simulador oficial fica no site dos Correios, mas a plataforma de etiquetas costuma sair mais barata que o balcão: no teste do vídeo, o PAC de uma caixa de 3 kg caiu de R$ 61 para R$ 53 (setembro de 2024).
Vale a pena ter contrato com os Correios?
No teste de 2021, valeu desde o início, porque o contrato de entrada não tinha mensalidade: o Vitor ativou antes da primeira venda e o frete baixou cerca de 17%, mas alguns destinos continuaram caros. As condições mudaram desde então: confira as atuais e compare com transportadoras.
A partir de que valor dar frete grátis?
A partir do valor em que o frete cabe na sua margem. Divida o frete médio pela margem que sobra depois do que você quer manter: com frete de R$ 30, margem de 30% e 15% a manter, a régua fica em R$ 200. Depois confira se o valor está perto do seu ticket médio.
Frete fixo ou calculado: qual usar na loja virtual?
Os dois juntos costumam funcionar melhor. O frete calculado mostra o preço real para cada CEP; o fixo simplifica a decisão nas regiões onde está a maior parte dos seus clientes. Qualquer que seja o valor fixo, ele precisa ficar perto do que você paga de verdade, senão o prejuízo aparece no fim do mês.